Também conhecido como "Estatuto das Estatais", projeto representa grande risco às empresas públicas brasileiras
por
Vagner Freitas
Tasso
Jereissati e Aécio Neves: o "DNA" tucano do projeto
Ao longo
da história, as empresas públicas protagonizaram transformações que marcaram o
dia a dia do Brasil. Difícil encontrar um cidadão que não tenha tido alguma
relação direta com essas instituições, seja por causa do FGTS, da casa própria,
da agricultura familiar e patronal, do gás de cozinha, da energia elétrica, dos
combustíveis etc.
Nos
últimos anos elas foram determinantes para que os avanços econômicos e sociais
andassem de mãos dadas, levando a que as ações das empresas públicas
estivessem voltadas para atender às demandas sociais e de infraestrutura
do país. O que seria do Bolsa Família e do Minha Casa, Minha Vida sem a Caixa
Econômica Federal? Sem a Eletrobrás, não haveria Luz para Todos. O que seria
das micro e pequenas empresas sem os empréstimos facilitados do BNDES? Sem os
Correios e a Petrobras, cartas, encomendas e combustíveis jamais chegariam aos
rincões deste país. E a agricultura patronal e familiar não teria a projeção
que tem hoje para a cadeia produtiva, se não fosse as pesquisas da Embrapa e o
peso dado pelo Banco do Brasil para o segmento.
O Projeto
de Lei do Senado (PLS) 555/2015, também conhecido como "Estatuto das
Estatais" pode ser votado amanhã (16). Com DNA tucano – é um substitutivo
do PL 167, do senador Tasso Jereissati, e uma referência ao PLS 343, do senador
Aécio Neves, ambos do PSDB –, ele representa um grande risco às empresas
públicas brasileiras, e várias ações para impedir sua aprovação vêm sendo
realizadas pela CUT e outras centrais sindicais desde o segundo semestre
do ano passado.
A
mobilização, que rapidamente ganhou alcance nacional, obteve por duas vezes o
adiamento da votação no Senado; reuniu estudiosos da área econômica e
jurídica para elaboração de um substitutivo e resultou na criação de um
Comitê Nacional em Defesa das Empresas Públicas.
Tamanha
organização, envolvendo representantes de trabalhadores de diversas categorias,
se fez necessária para tentar brecar esse PLS especialmente no que ele
traz de mais assustador para a sociedade: a possibilidade de uma nova onda
de privatizações, quando emprego e demais direitos trabalhistas são
ignorados em nome da lucratividade. Uma condição que a CUT não pode aceitar.
Mas, não
bastasse essa questão fundamental, evidente no texto do projeto quando
estabelece que as estatais (em todas as esferas) se tornariam sociedades
anônimas, há ainda outros mecanismos de intervenção que mudariam
substancialmente o papel, autonomia e gestão das empresas públicas. Um deles,
por exemplo, restringe a participação de trabalhadores nos conselhos de
administração, o que inviabiliza totalmente a representatividade dos empregados
nestas instâncias. Pesa ainda contra o projeto o fato de estabelecer um
estatuto padrão para todas as empresas públicas. Ele não leva em
consideração que as gestões, as estruturas e as missões dessas
estatais são totalmente distintas. Um banco, como a Caixa tem uma
estrutura, uma gestão e uma missão completamente diferente de uma empresa
como a Embrapa ou os Correios.
Para a
CUT, defender a participação dos trabalhadores em todos os fóruns é defender
a democracia. E defender a democracia é garantir que a sociedade não seja
lesada em nome da ganância, em nome do "mercado", ou ainda,
nesse caso, em nome de uma suposta "transparência" na gestão das
estatais. É fácil perceber os interesses que estão por trás deste PLS quando se
sabe que, atualmente, de acordo com dados do Ministério do Planejamento, o
Brasil possui 140 estatais somente no âmbito federal, com cerca de 540 mil
empregados. O que significa nada menos que um patrimônio líquido superior a 600
milhões de reais, com ativos acima dos quatro trilhões.
Entre
estas estatais estão a Caixa e o BNDES, totalmente gerenciados pelo Estado;
ou seja, 100% públicas, e outras de capital aberto, como a Telebrás,
Petrobras etc. Atuam em setores estratégicos para o país e, mais
ainda, desempenham uma função social que contempla o desenvolvimento de seu
povo, o que é ignorado quando a administração de uma empresa se guia apenas
pelo avanço nos lucros.
Infelizmente,
o PLS 555 não é o único projeto que aponta para o caminho do retrocesso no
atual Congresso, fortemente constituído por representantes de setores
conservadores. Mas nós também somos fortes – somos fortes, somos CUT! –, e
vamos juntos ampliar ainda mais essa mobilização, impedindo que uma aprovação
ocorra sem o debate e as mudanças necessárias. Nós também queremos estatais
eficientes e de gestão transparente, mas que atuem em defesa do
patrimônio brasileiro e de seus trabalhadores, esses sim os
verdadeiros geradores da riqueza do Brasil
fonte:
http://www.redebrasilatual.com.br/blogs/blog-na-rede/2016/02/pls-555-aponta-o-caminho-do-retrocesso-escolhido-pelo-congresso-nacional-3417.html
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